Páscoa

Quando eu morrer, se eu morrer, não conte nossos segredos.

Ninguém deve saber, querida, nem mesmo as almas…

Porque vou renascer e criar, vou atrás do que não foi permitido da última vez.

Evite principalmente aquela cena em que, ao contar ao seu ouvido, chorei, molhei seu colo depois da catarse.

Este segredo precisa ser revelado por mim.

Quando eu voltar, minha cara,  vou abri-lo e deixá-lo à mostra.

Pleno, completo, doce.

Só então vamos comemorar.

Desabafo

Aconteceu de novo!

Larguei na frente, rodei muito bem as primeiras duas voltas  e depois…

Pneu furado, falha de carburador, pane seca.

Estou fora!

De novo!

Definitivamente!

Espreguiçadeira

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O Haus, meu rottweiler de 8 anos, sempre teve uma relação curiosa com  mamãe.

Quando era ainda bebê, em fase de aprendizado de boas maneiras e Dona Elvira estava aqui em casa no sofá, o “moleque” entrou feliz da vida para cheirá-la e agradá-la, que morta de medo da “fera”, deu-lhe uma chinelada no focinho.

Ela contou, quando voltei, que ele saiu por onde entrou, sem graça, cotoco abatido.

— Tenho medo dele — ela disse,–  essa onça!

O bicho cresceu e cresceu e Dona Elvira, já diminuindo, vinha visitá-lo duas vezes por ano, quase todos os anos.

Porte soberbo, acima do padrão, mas relativamente bem educado, Haus não entra em casa sem ser convidado. Mas, assusta!

É claro que o medo tem mais a ver com ele estar feliz e querer se expressar!

Decidi que era melhor assegurar a integridade dela.

O cão a reconhecia quando ela vinha de visita, balançava o rabinho feliz, bocarra aberta, cheia de dentes e língua rosada!

Ele nunca foi lobo, mesmo diante da vovozinha…

E agora que tenho a espreguiçadeira que mamãe usava todos os dias em Uberaba, agora que a coloquei na varanda, para poder aproveitar meu jardim como mamãe fazia, percebo que ele parece saber. Ele sabe!

Independente de onde eu coloque o canapé, ele deita-se ao lado e vigia.

E às vezes, suspira.

Bassi

Gosto de carne vermelha. Gostamos.

Conhecemos o Bassi quando era um restaurante miúdo, em um terreno alongado e de viés, da Rua Treze de Maio, na Bela Vista.

No início, em geral encontrávamos logo uma boa mesa, mas em pouco tempo, meses acho, era  preciso esperar uns quarenta minutos nas horas de almoço dos fins de semana. Uma espera deliciosa: Bem na entrada, serviam linguiças, corações e outros petiscos que aguçavam a fome e nos davam paciência de esperar pelo prazer que já antegozávamos.

Sempre fomos atendidos com muito carinho e o Bassi invariavelmente circulava por ali, cumprimentando e falando com todo mundo. Muito aprazível.

Nos últimos anos temos ido muito menos, só quando visitamos São Paulo.

O Templo da carne é muito mais vistoso, o espaço é muito maior, e continuamos a ser atendidos

com a mesma atenção de sempre.

Valia a pena.

Valeu a pena!

E vai continuar valendo!

Salve, Bassi!

Bassi