Felinos

Quero gatos! Três gatos, um número que nunca tive. É mal presságio? Três?

Para mim está de bom tamanho: Duas meninas e um moleque atrevido.

Por hora, não posso. Por isso, sofro.

Tenho o Haus, um cachorro feroz e destemido, que todos aqui conhecem.

Tem sete anos e é lindo, adorado.

Por uma experiência muito negativa, faz uns anos, desisti dos gatinhos. 

Agora só quando o Haus morrer…

Fico entre as dúvidas:

Perdê-lo ou ganhá-los?

Sempre que me sinto assim, tão dividida, vou lá sentar-me ao lado dele e fazer muito carinho.

Não quero perder mais ninguém.

Quero é ganhar! Muitos outros.

DETRAN

Depois de descobrir, acidentalmente, que minha carteira de habilitação estava vencida havia mais de um ano, tratei de mexer os pauzinhos.

Hoje estive no DETRAN para entregar os documentos e tirar “refoto” como dizia a Helena quando era pequenininha. Estava preparada para pelo menos duas horas de embromação, mas foi bem rápido, acho que tive sorte. Cheguei antes,  por medo de perder a hora; fui de táxi a um shopping onde nunca tinha ido.  Quando saí reparei que eram 12h20min  e meu horário de chegada era ao meio dia.

No clima de sorte, marquei meu exame médico para amanhã. Daqui a cinco dias busco a carteira novinha em folha e posso sair por aí.

Não tenho muita vontade; ando mais caseira do que nunca.

Mesmo assim, se preciso ir ao supermercado, distante apenas duas quadras daqui de carro, tenho certeza de que vai haver uma blitz, ou vou bater em alguém. Minha expressão de angústia e culpa deve ser óbvia para qualquer soldado.

Curiosamente, agora que não devo sair,  preciso. Um balde grande e novo, ou o lustre que só vou encontrar na ¨rua da Consolação¨  do Rio de Janeiro.

Anotei essas pendências para depois que estiver com o documento novo nas mãos.

E tratei de agendar meu e-mail  no DETRAN para que me avisem quando estiver perto do próximo vencimento.

Espero viver até lá!

Quem viver verá!

Boa forma!

Reparou que o copo que ofereci a ele – para que não quebrasse meus copos mais delicados – tinha prazo de validade no fundo…

Na sala, às vezes ficava de cabeça para baixo, a cabeleira varrendo o tapete e os pés para o alto. Lembrou-me um morceguinho simpático de outra história.

– Deve ser confortável – pensei, imitando o garoto. Fiquei uns minutos assim, mas não achei graça naquilo, e voltei a sentar no sofá como a senhora que sou.

Curiosamente ele também parou de se aventurar ao contrário e a partir daí manteve a cabeça sobre os ombros. Deve ter me achado ridícula!

Tem um português afinado e um vocabulário impressionante para um menino.

Talvez já saiba demais do mundo. Eu o vi ansioso várias vezes por não poder mudar à perfeição os transtornos a sua volta.

Mas sua risada franca, virando ligeiramente a cabeça para o lado é deliciosa.

Bom menino! Boa forma!