Ah, os hormônios…

A propósito da cirurgia realizada em Angelina Jolie, para diminuir sua alta probabilidade de desenvolver câncer de mama e ovários, também considero sua atitude corajosa e proativa. Que tristeza pensar que eventualmente deverá fazer ooforectomia e não fará reposição hormonal, pelo menos é assim que entendo agora. Com tantas novidades na medicina, talvez haja uma forma alternativa de evitar a castração e a inevitável perda de viço e juventude.

Hormônio – demônio do bem, anjo do mal. Ligado às mais diversas expressões do corpo; e alento da alma; vício para alguns, complexo para outros, sua falta ou excesso governam nossa vida. Temos que nos adaptar e conviver conforme o nosso destino.

Por outro lado, muito se fala sobre os benefícios da castração dos animais. Nos machos, diminui a agressividade, tornando-os mais tolerantes; e se são os gatos, evita, na maioria das vezes, que marquem com borrifos de urina nosso sofá preferido.

Nas fêmeas que não forem reproduzir, é melhor que sejam logo castradas, assim que atingem a maturidade sexual, por volta dos seis meses, evitando cios prolongados e sofridos – ah, os hormônios e as TPMs; e os tumores de mama tão comuns nesses animais.

Enfim, penso na ironia da natureza por nos mostrar a beleza de Angelina ser melindrada por opção dela, que se permitiu desta forma ficar o máximo possível com seus filhotes, e eventualmente viver mais tempo do que estaria destinada com tal herança.

Lembro-me de precisar decidir sobre a castração do meu rottweiler, única esperança para controlar sua agressividade por dominância – com outros cães e pessoas desconhecidas. Passei semanas insone; seria mesmo necessário? Um cachorro tão bonito ser castrado? Ter a pelagem fosca, engordar e tornar-se menos imponente, menos masculino?

Meus colegas veterinários diziam:

– Ele nem vai saber o que aconteceu, apenas ficará mais calmo.

– Mas eu gostaria tanto de ter filhotes dele…

– Sim, mas se ele cruzar…

Liguei o piloto automático, marquei a cirurgia, preparei o espírito do Miguel e fui em frente.

Estive por perto durante o procedimento. Vi o pobre lá, entregue aos efeitos dos anestésicos, ferido em sua masculinidade, e torci para encontrar em seus testículos – absolutamente saudáveis – algum nódulo, alguma irregularidade que justificasse a judiação. Nada!

Ele recuperou-se da cirurgia, e logo estava brincando, alegre com a vida, marcando seus territórios e absolutamente – dominante.  

Sua consciência, seu cérebro, suas células, já haviam assimilado o poder da testosterona.

É um macho alfa… Castrado.

Bravo, e gordo – não fazemos mais nossas corridas diárias pelo condomínio – continua sendo meu animal querido. Nem sempre a gente ganha a batalha.

Bom, pelo menos, estou certa de que ele jamais terá um tumor gonadal.

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