De ponta cabeça

Moravam em um sobrado encarapitado no alto do morro. A frente da casa dava para a rua e o quintal era lá embaixo. Para se chegar ao tanque para lavar roupas, quarar e depois pendurá-las nos varais, a mãe precisava descer trinta e dois degraus.  Por isso ela deixava a meninada fazendo lição – melhor ainda se estivessem na escola – e ia resolver as questões referentes às roupas da família.

Eram cinco crianças, o mais velho com dez anos e o mais novo um bebê de três meses, gorducho e carequinha.

Naquela semana tinha chovido a cântaros e a roupa ficou acumulada, mofando no armário do banheiro.

No dia em que saiu o sol, ela desceu com a matula de roupas e foi lidar no tanque. Gostava de cantar modinhas enquanto esfregava e batia a roupa. Foi quando ouviu um balidinho.

– Nenê, mamãe!

Esfriou. Olhou para o alto da escada e viu a filha do meio de uns três anos segurando o bebezito pelas pernas, que ela abraçava firmemente de encontro ao peito, enquanto a cabecinha balançava a poucos centímetros do chão.

Ela contava essa história com graça e muita energia. Afinal salvaram-se todos, graças a Deus!

Um comentário sobre “De ponta cabeça

  1. Nossa, lembro tanrto da risada q vinha acompanhando essa estória… Os meninos ficaram comovidos, e comentaram o quanto essa família tem estorinhas… bjos, ml

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