Soberba

Havia um parque na cidade, próximo à  casa de George. Dona Docinha levava o menino todas as manhãs para tomar sol e brincar com as crianças do bairro. Ele gostava do Afonso e do André. Ele gostava da Bruna. Na piscina de areia preenchiam os vazios dos potes e faziam riachos com uma colher e água. Era bom!

Naquele dia George viu de longe alguém que nunca vira antes. Era uma menininha gordota, os olhos puxados e um cabelo liso e preto. George também não gostou do cheiro dela quando Dona Docinha quis que ele a abraçasse.  Ele sofreu um bocado porque a menina deu-lhe um beijo estalado e úmido na bochecha. George limpou o rosto na manga da camisa. Pegou a mão de dona Docinha e pediu: – Vamos para casa?   A babá estranhou: – Mas já? Brinca mais um pouco!

Ele era tão novinho e já sentia as diferenças de ser. Era mais limpo, mais bonito, mais humano; ele era melhor que aquela menina.  Será que ela iria agora frequentar o parque?

Voltaram para casa mais cedo. Dona Docinha percebeu que George era outro,  agora que tivera que lidar com o orgulho pela primeira vez.  Rezou para que Deus o protegesse daquele triste destino de se achar superior.

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