E agora?

Muitas vezes ficava tão triste, tão desanimado, que ia pro bar beber. Desde que o viúvo se aposentara ficava zanzando pela casa, sem ter o que fazer com as mãos e com os olhos que pousavam, piscos, no ingazeiro do quintal ou na roseira do jardim. 

Então saía para dar um giro. Saía para beber e esquecer. Seu pesar estava curtido na pinga, suas lembranças amolecidas na Brahma.

Agora que estava velho e sozinho só esperava a morte e quando. Esperança, ímpetos, sonhos, não havia.

Mas aconteceu o dia da lembrança. Quando o Benjamim chegou para visitar e comentou:

– Pai, o bom de beber é comemorar. Estar alegre, gargalhar. 

Na tristeza, na dor é bom estar sóbrio.

Passa mais depressa.

 

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