Anda-brilho

Um homem, em sua bicicleta customizada, toda cheia de luzes, pedala à noite, a noite toda. Usa uma lanterna na cabeça – dessas que vem acopladas ao capacete dos mineiros – o que permite que ele veja à frente e dos lados bastando girar a cabeça. As roupas especiais sobrepostas aos trapos desleixados que veste brilham no escuro e ao passar por ele lembro-me dos vaga-lumes onipresentes no ar das cavalgadas na fazenda.

Penso que em algum momento ele deve descer da magrela, então serão dois aglomerados de luz que depois se integram novamente em harmonia. 

Imagino se ele tem um gato.

Ou uma mulher perfeita que trabalha em um hospital, por isso os dois singram pelos mares noturnos, ele sonâmbulo em busca de inspiração para escrever e ela pragmática, a entubar e estabilizar os pacientes acidentados que chegam da rua; e que eventualmente estavam em uma bicicleta vaga-lume.

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