Academia

Passei por uma senhorinha muito alinhada de vestido e sandalhinha, cabelo branco Chanel curto e muito, muito cheirosa. Ousaria dizer que ela se vestiu de perfume. 

Lembrei-me de que certa vez na academia Contours – que eu gostava tanto – apareceu uma mulher-perua. O cabelo muito arrumado – ainda se usa laquê? – a roupa complicada, com muitos recortes que deixavam nacos de pele à vista, um tênis reluzente de novo e  tanta maquiagem que parecia usar uma carranca a esconder o sorriso. Ela começou a pedalar para o aquecimento e em menos de cinco minutos a “pintura” desabou. Um dos cílios postiços escorregou pela bochecha, constrangido. A sombra lilás e o rímel preto se misturaram numa imitação de lava do Vesúvio. A boca contraída pelo esforço tornou-se um corte vermelho feito à navalha.

Pobrezinha… Aquela academia não era para ela. Sem espelhos, sem ostentação e sem testosterona nada a interessava ali.

Certamente por isso ela nunca mais voltou. Talvez tenha aprendido a lição e passou a ir para a academia com a cara lavada e o cabelo escorrido, tornando-se tão distinta de sua máscara que não a reconheci.

Ou foi em busca de uma academia mais apropriada para o randez vous.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s