Maternidade

O jardineiro vinha às quartas e sábados. Lidava com os cães com muito entusiasmo e reparou logo na prenhez de sua favorita. Era uma experiência nova.

Quando os filhotes nasceram – eram cinco já descontando a que nasceu doente e morreu depois de dois dias – era tal sua alegria que passava em outros dias da semana para vê-los e os adular.

A patroa se divertia, permitiu que o rapaz viesse quando quisesse e prometeu um deles para que levasse para seu rancho.

– Não, madame, melhor não. Aqui serão mais bem cuidados, vão comer melhor.

Depois de uns meses parecia triste. Mas não se abria, apenas olhava a ninhada e a mãe de rabo de olho, constrangido.

A patroa perguntou:

– O que foi Lourenço, anda abatido?!

Ficou quieto, cismando. Depois resolveu confessar à patroa:

É que, depois dos filhotes, – e ele fez um gesto de quem segura dois melões em frente ao peito – os… os seios dela… ficaram caídos… 

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