Exames de rotina

Abriu- se a porta de vidro fosco e uma moça chamou alto e claramente:

– Patrícia Bilharinho de Mendonça Rati!

Sou eu. Levantei aflita e segui atrás dela por um corredor muito limpo, de paredes amarelo clarinhas e chão impecável. O corredor dava acesso a outros corredores e a muitas portas de vestiários numerados – vi até o número dezessete. Estavam abertos com a chave na fechadura e um chaveiro enorme com o número do cubículo. Ou fechados sem a chave. Do lado de fora várias mulheres com um avental de algodão macio, em tons pastel aguardavam serem chamadas para os exames –  mamografia, ultrassonografia, densitometria. 

Entrei no meu cubículo tirei a roupa toda conforme orientação, vesti meu avental e fiquei do lado de fora esperando ser chamada. Disseram para esperar dentro do vestiário, mas quem aguenta?

Pelos corredores, moças muito atarefadas levavam prontuários, chamavam pessoas, davam instruções… E a gente esperando do lado de fora, pelada e de avental, umas olhando para as outras, na expectativa de fazer logo os exames e vestir a roupa, couraça que nos permitiria ir lá pra fora e voltar a ser normal.

Algumas tinham ego para reclamar que estavam passando outras na frente. Fiquei quieta esperando feito um cão que aguarda o dono, farejando e erguendo as orelhas a escutar:

Será que me chamaram e eu não ouvi?

Será que perderam meu prontuario?

A melhor parte foi vestir a roupa, devolver a chave com o chaveiro enorme de número 4 e ir lá pra fora pagar a conta e ser feliz outra vez.

 

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