Táxi e vinho

Depois de um jantar delicioso e com muito vinho, pegamos um táxi para voltar para casa. 

O taxista parecia tranquilo, falava pouco e às vezes atendia ao celular. Normal…

Mas dirigia a 40 km por hora… Lento, muito lento. 

As vezes divagava para a outra pista. Um ou outro carro buzinava ao passar por ele, que voltava ao seu lugar.

 

Passamos incólumes por duas unidades da “Lei Seca”.

Eu estava relaxada o suficiente para não ligar muito para o chofer. 

Mas talvez tivesse sido mais seguro termos ido com nosso carro…

Tudo correu bem, e mais uma vez confirmo: Temos hipertrofia de Anjo da Guarda!

Amém!

Incidente

Em tempos de festas, fui ao Shopping comprar uns presentes e fazer as unhas. Estava de sapatilhas mas levei minhas havaianas para evitar estragar o esmalte. No salão tratei de me prevenir: Separei o cartão de serviço deles, o meu cartão de débito, as chaves do carro e o celular. Tudo muito fácil sem precisar vasculhar a bolsa ou os bolsos, na hora da saída.

Ali pelo meio do processo, uma moça muito atarefada ao celular, marcava reuniões, delegava trabalhos para o outro lado da linha e trocava de quando em quando a mão que segurava o telefone, enquanto a manicure se esmerava no vermelho rutilante.

– Ai, estraguei essa unha! 

A manicure refez o trabalho e aconselhou:

– É melhor você ficar bem quietinha por uns dez minutos, para não acontecer de novo.

Ali do lado pensei que ela deveria ter se prevenido como eu havia feito… tsk, tsk, tsk…

Terminado o trabalho, feliz com o resultado, paguei facilmente e saí com os dedos esticados, em direção ao carro.

As chaves na mão, abri a porta, sentei, engatei a ré, saí da vaga do estacionamento e fui apertar o cinto de segurança.

Droga!

Avestruz

Não quero falar do absurdo que é saber que um animal foi abandonado. Preciso entender porque alguém tem essa coragem. São tantos, muitos, inúmeros. Não faz sentido adotar um bicho e desprezá-lo. Pode ter sido um presente inesperado, não desejado, pode ser falta de tempo de cuidar do animal, preguiça, pobreza…

Imagino que a pessoa possa ter tentado de tudo, doação, venda, rifa… Mas meu coração não me permite sentir a maldade de abandonar por desfastio, desprazer. E deve acontecer…

Será que as pessoas pensam:

– Ora, alguém vai cuidar dele… Tanta gente querendo um animal… Posso desprezar sem problemas, tudo se arranjará…

Lembro-me de encontrar gatinhos abandonados no meio do mato; eu era tão pequena…

Levava para casa, mas a resposta era sempre a mesma:

– Devolva para onde o encontrou. Senão vou jogar em um saco, dentro do canal. 

Era duro… Mas era sobrevivência. Da família. Se todos encontrassem um animal para cuidar em casa, o orçamento estourava…

Melhor cuidar dos humanos. Os bichos? Que se cuidem.

Governar, gerenciar, delegar…

Difícil. 

Prefiro o padrão avestruz. Sou fraca!

 

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Sincronicidade

Ontem à noite, pensava na publicação dos meus livros, quando lembrei de uma editora para onde mandei um romance para avaliação. Segundo o projeto, dos livros que fossem encaminhados, escolheriam alguns e fariam a edição. Lembrava-me que era para o primeiro semestre de 2014. Parecia tão longe quando enviei o texto… Só não sabia quando dariam o resultado e não encontrava o email deles com a confirmação do recebimento. Entrei no site da editora e confirmei que o resultado sairia em dezembro.

Então relaxei para esperar até lá.

Menos de cinco minutos depois recebi um email da editora dizendo que haviam prorrogado o tempo para escolha dos originais até março devido à quantidade de trabalhos.

Esfriei. Lembrou-me do Grande Irmão; quem leu sabe do que estou falando. Mas fiquei persecutória, e procurei micro câmeras nas lâmpadas e espelhos… Sei lá…

Mas acho que foi coincidência mesmo… Ou melhor, sincronicidade.

A ponte

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Quando tinha uns dez anos, ganhei uma camiseta amarelo palha com a estampa de uma ponte e os dizeres Golden Gate. Lembro-me de gostar da textura da malha e do tamanho da blusa. Servia-me como deveriam servir todas as nossas roupas. Ficava feliz com ela. Sabe quando a gente quer variar e pega uma outra peça no fundo da gaveta? E veste e tira imediatamente só para deixar amarfanhada sobre a cama e vestir aquela que nos cai tão bem, e que é quase uma companhia, uma confidente?

E era inevitável que alguém lesse os dizeres e perguntasse:

– Você conhece a Golden Gate?

– Você já foi à São Francisco?

Confesso que não sabia muito sobre o assunto a não ser que era um lugar muito escolhido por suicidas. 

Tantos anos depois, agora que estive lá e vi como é bela e comovente, compreendo. 

A ponte invoca muitas histórias, muitos dramas possíveis. Tem alguma coisa de monumento que nos deixa inspirados e compassivos.

E se é pra se escolher um lugar de onde se atirar que seja de um lugar bonito!

Bobagem… Os suicidas não pensam nisso.

Desfastio

Às vezes, gostaria de variar os pratos do dia a dia. O que é básico aqui em casa – arroz com feijão, uma carne, um legume e uma salada de folhas – as vezes me deixa frustrada… Era isso?

No mercado, procuro alguma coisa diferente mas, não existem novas batatas, nem abobrinhas roxas. Tudo igual!

Em dias assim, melhor nem sair de casa. Esperar passar a crise da mesmice e do desfastio.

Porque uma abóbora será sempre cor de abóbora e a carne de pau estará no mesmo lugar do meu freezer. 

Se eu tivesse que passar fome por uma semana, certamente encontraria prazer em um mísero ovo.

É disso que estou precisando. Ser órfã, ser indigente, ser sem teto por uns dias.

Depois certamente vou acreditar na couve flor e no brócolis. 

E vou ser mais feliz!

Estalinhos

Estava concentrada na leitura quando ouviu o estalo. Olhou para trás, de onde viera o ruído e viu a filha, levada, pronta para o bote! Teria sido um susto e tanto.

Por uma característica da família – ocorria também com uma prima – a moça, ao caminhar descalça, estala um dos calcanhares. É tão previsível quando o relógio na barriga do jacaré da história do Peter Pan.

Mas é bom ouvi-la chegar!

Mesmo assim, por gostar de uma brincadeira e estar de bem com a vida, as vezes arrisca. Pé ante pé, procura não fazer o ruído tão característico dela.

Daquela vez não deu certo, a mãe percebeu.

Caíram as duas na risada! Elas se divertiam juntas!