Espartaco

Aquela galinha era mãe.

Falando assim ninguém acredita, mas eu mesma vi.

Desde a primeira vez que chocou, raramente um ovo gorava.

Era uma galinha supimpa!

Mas o impressionante mesmo foi quando a dona descobriu um pintinho ainda vivo depois de um temporal que lavou o ninho com as crias não emplumadas ainda. 

Ela decidiu cuidar do pobrezinho, levou para casa, tratou de aquecê-lo com uma lâmpada disposta sobre uma caixa coberta com uns trapos, e alimentá-lo com papinha de pão e quirera. 

A cada noite parecia improvável que fosse vingar. 

Mas era um sobrevivente. O guerreiro.

Quando já estava bem emplumado, saudável e comia grãos sozinho, foi levado de volta ao terreiro em que nasceu.

Assim que a dona soltou o pintinho ele correu em direção à mãe que estava ciscando a uns dois metros dali. Ela ouviu o piado e foi ao encontro dele, cada um conferindo a seu modo suas semelhanças. Eu estava junto, eu vi!

Confesso, foi emocionante. Ela reconheceu o filho e os dois tagarelavam.

Mas estava predestinado. Seu nome já anunciava.

Na  enchente seguinte, ele morreu levado pela enxurrada. E desta vez nem a mãe pode salvá-lo, porque chocava agora os ovos daquela vez.

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