Os pequeninos

Quando fiz estágio na pediatria, não me lembro se no quinto ou sexto ano, tive alguns pacientinhos especiais. 

Um deles era o Michel, filho de ciganos, que quando souberam que o menino iria morrer – tinha um câncer de rim muito maligno – a família levantou acampamento e foi embora. 

O pequenino tinha quase dois anos e de certa forma nos adotamos.

Ele carente de mãe e eu carente de filho. Ele precisando receber, eu precisando doar amor. 

Entretanto sabia que ele não iria sobreviver…

Grande ambivalência.

Perdi a objetividade. Estive envolvida demais e sofria.

Ele falava em uma língua estranha, que eu não compreendia. Mas sabia que ele queria carinho quando tentava desabotoar meu jaleco e dizia: 

– Mamaia, mamaia. 

Foi com ele que aprendi a trocar fraldas, limpar vômito, pegar no colo, fazer dormir…

Foi por ele que descobri que a pediatria não era para mim…

Mas é muito bom saber que existem pessoas capazes de cuidar com amor, sem perder o senso. 

A experiencia com o Michel foi um extremo, é claro.

Na maioria das vezes é possível cuidar dos pequeninos e ver sua recuperação em geral rápida, e isso é uma alegria. 

A mãe do “Uaschinton”, por exemplo, me reconheceu na rua cinco anos depois que cuidei do bebezinho dela que sofria de desnutrição. Foi emocionante saber que ele estava saudável e ver a gratidão daquela mãe. 

Parabéns aos pediatras! São pessoas abençoadas!

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