Coquinho

Ela adotou um coelho…

Hum, coelho? – pensei – que graça tem um coelho?

Não faz festinha, não late, nem ronrona, não chora, não canta…

Um coelho?

Pois bem, a Luciana, minha colega veterinária e companheira de gargalhadas, curtiu esse animalzinho por muitos anos, desde a faculdade.

Tratou dele como se fosse parte da família; e era!

O bichinho era o centro das atenções quando eu ia visitá-la.

Teve problemas articulares graves, foi operado várias vezes; e todos aconselhavam: 

Eutanásia.

Ela não quis. Nunca quis. Não é capaz de “botar pra dormir”. Desistiu dessa tarefa logo depois que se formou em medicina veterinária. Se percebe que não tem jeito, que será melhor para seu paciente, ela encaminha para um colega. 

Seu coraçãozinho não suporta a dor de tirar a vida.

Antes do carnaval, depois de mais de oito anos juntos, o Coquinho ficou doente demais. De velhice. Foi tão querido e tão bem cuidado – nunca ficou só – ele viveu além de seu tempo.

Mas a velhice, fato da vida inexorável, acontece com o bichos também.

Ela não pôde encaminhar. Não quis. 

Ficou com ele até o fim, e o coelhinho morreu em seu colo.

Chico Xavier disse, certa vez, que nossos animais queridos, quando morrem, ficam por perto por uns quatro anos, consolando seus donos. 

Portanto, não fique triste. (Só um pouquinho, vai!)

Só quando estiver pronta, ele vai de fato partir.

 

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