Oferenda

Havia anotado  o endereço com capricho. Fiz a encomenda. Mandei entregar às dez horas e que não esquecessem o cartão com minhas melhores expectativas para o próximo ano dele. Era a primeira vez que o presenteava.

Olhei as horas muitas vezes, a cada dez minutos. Às dez e quinze já antevia que ele recebera e se emocionara.

Tocou o telefone, atendi tremendo; e era a mocinha da loja onde eu fizera o pedido:

– Senhora, esse endereço não existe!

– Não é possível, qual foi mesmo o endereço que passei para vocês?

Ela repetiu soletrando. O número, estava certo o número?

O motoboy havia dito  que o endereço era o de um terreno baldio… Havia uns ninhada de gatinhos e a mãe… E no prédio ao lado, o zelador balançou a cabeça negando que houvesse qualquer morador com aquele nome ou sobrenome.

– Como faremos? – Ela perguntou atarefada com outros clientes.

Expliquei:

–  O cartão, pique bem picadinho e jogue no lixo. Abra a embalagem e disponha tudo como uma oferenda, no terreno baldio. Quem sabe alguém se interessa pelos filhotes?

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