Serenatas

Terminei a leitura de O Vale do Dragão, do Piero Souza Dias Caramelli. 

Foi escrito para crianças e adolescentes mas eu, que já estou bem madura, pude voltar à infância e reviver o tempo em que meus irmãos e eu brincávamos de bandido e mocinho. Eu era a única menina da turma, mas queria ser igual aos outros e enfrentar os desafios todos em pé de igualdade. Brincávamos de trincheiras e as balas eram torrões de terra; saíamos imundos, cansados, mas muito felizes e prontos para a próxima. 

Também voltei no tempo quando compreendi que a cada desafio do herói do Piero, depois de vencida cada batalha, alguém do grupo que foi libertado se juntava ao personagem principal para participar da próxima etapa. Lembrei-me da época em que fazia serenatas e do mutirão que se criou certa vez, em Barbacena. Foi quando conheci o Miguel, que era  (e é) irmão da minha melhor amiga até hoje. Eu e meu grupo de “artistas” fizemos várias serenatas pela cidade. Foi muito especial porque a cada serenata éramos convidados a entrar e tomar um drinque e depois alguém da casa nos acompanhava em nossa saga pela madrugada.

A última serenata foi na casa dos pais do Miguel.

Em determinado momento olhei para trás – eu estava com o violão e vi toda aquela gente no meio da rua cada um com um “instrumento” musical: panelas, caixas de fósforo, um pandeiro, latas e as vozes, todas desafinadas depois de tantas cantorias e bebidinhas.

Foi lindo. Especial. Inesquecível. 

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