As mães

Assisti agora a pouco a um vídeo que mostra a conversa de uma filha com sua mãe velhinha, muito debilitada, e com sinais de demência. A filha, paciente e carinhosa, escuta sua mãe e interage com ela; trocam ideias. Muito comovente.

Lembrei-me de uma história que mamãe contava sobre sua tia, que em situação semelhante, ficara aos cuidados da filha, que cuidava dela mesmo, “pegava no colo”.

A mãe velhinha tinha sido costureira e sempre fora caprichosa e detalhista. Seu trabalho era um primor.

A filha arrumava a cama com frequência para deixar sua mãe confortável e limpinha. Certa vez deu por falta da fronha. Não entendia como poderia ter esquecido, estaria ela também perdendo a memória?

Depois de muita procura, descobriu.

Sua mãe, enquanto sozinha, havia retirado a fronha do travesseiro, e trabalhado nela por um tempo, desalinhavando cuidadosamente partes dos “retalhos de tecido.”

E havia vestido a fronha como se fosse uma blusinha.

Ocorre-me que alguma memória fica. A alma em sua essência está ali.  Dentro daquele corpo franzino e doente existia ainda a pessoa que ela  fora.

Ainda que estivesse vestida com uma fronha.

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