Antônio

Antônio prefere a rede à cama confortável. Prefere o calor ao frio e o sol à chuva. É rústico, quase “severino”.

Não espera o dia clarear, sai de casa antes, e caminha pelas avenidas sombrias e ermas.

Às cinco horas já está trabalhando: molha as plantas para lavar o sereno, verifica o miolo das bromélias e lubrifica a máquina de cortar grama. Poda uns galhos secos, faz uma trouxa e carrega nos ombros até lá fora.

Depois leva o cachorro pela guia, vai severo e calmo. Os dois caminham pela vizinhança por mais de quarenta minutos.

O cão trás a língua de fora quando voltam. Bebe água, estrebucha, vai deitar-se em um pano velho e olha seu companheiro; o queixo no chão entre as patas da frente.

– Vamos tomar o café da manhã? – ele diz ao Bill – que confiante abana o rabicó e segue com ele até sentarem-se ao lado do banco tosco. Dividem o pão com manteiga molhado no café da garrafa térmica cor de abóbora.

Depois Antônio cata inexistentes piolhos no animal. Coça a nuca.

Quando se dão conta é dia e o resto do mundo já começa a acordar e fazer barulho.

A vida está engrenada.

 

 

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