Deite aqui comigo!

Era tarde na vida deles juntos, bem depois da metade.

Mesmo assim andavam de braços dados, um segurando o outro nos eventuais tropeços pelo caminho.

Um dia ele adoeceu – o coração bricabraque cintilante.

Na enfermaria do hospital público ele reinava, pequenino e frágil, no primeiro leito à esquerda. 

Ela sentou-se ao lado dele, em uma cadeira de metal brancacento e frio. 

À noite – como em todas as outras noites de suas vidas – ele chamava:

– Nega, vem deitar comigo!

Ela resistiu, envergonhada até que não pode mais.

Afastou o lençol, subiu na cama alta e aconchegou-se.

Só assim, expostos a quem quisesse ver, dormiram, aquietados.

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