Dona Zica

Fez um prato de sopa, um creme de batatas como dona Zica gostava. Levou até a mesa e colocou em frente à mãe que olhava longe, muito longe.

– Mãe, coma só um pouquinho, olha só, fiz a sopa que você mais gosta, vamos?

Pegou uma colherada da beiradinha do prato, assoprou e ofereceu à mãe. Dona Zica olhou o prato cheio, fumegante, depois olhou para Marina, suspirou,  abriu a boca e tomou o gole. Estava bom. (Marina fechou a boca e deglutiu também conforme a mãe o fazia). 

Dona Zica tomou a colher da filha e de enfiada tomou cinco ou seis goles, esticando o pescoço ao engolir.

Marina sentou-se na cadeira ao lado e observou sua mãe tão enrugadinha e triste.

Dona Zica então travou a boca, tirou o guardanapo do colo e colocou ao lado do prato que empurrou para longe de si.

– Chega.

Era voluntariosa – sempre fora – e fazia o que bem entendia.

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