A hora da estranha estrela

Para lá, pelos campos de Minas, quando amanheceu depois de uma noite de tempestades e crimes, Alão saiu para o terreiro e vislumbrou a estrela. Procurava o sol, mas não era o sol que aparecia entre as nuvens fugidias, o tom era castanho, e ela era fosca e muito maior que o astro rei. 

Alão piscou e olhou de novo, intrigado, pasmo. As nuvens se dissipavam rapidamente e ele viu que a estrela estava maior… Será?  Por ser fosca, podia-se olhar para ela sem cuidados, descaradamente.

Fixou a mirada e comparou com a lua que estava por ali, bisbilhotando.

Se a princípio a estrela era três vezes maior que a lua cheia, em uma hora duplicara de tamanho.

Estava crescendo. Estava viva. E vinha vindo depressa.

Para onde fugir? 

Ventos inóspitos varreram as Minas e levantaram ovelhas e desfolharam ipês, cujas folhas cobriram o chão de amarelo.

Alão olhou em torno à procura de um abrigo. Estava muito quente agora e  meteoritos de lava fumegante e mineral  se misturavam ao amarelo orgânico derramado.

Refletiu a tempo de se dar conta:

– É o fim do mundo.

Deitou-se ao pé de uma árvore nua, cruzou os braços e suspirou à espera do apocalipse.

 

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