Eu, minha mãe, a morte e a morte da bezerra

Dizem que foi por azar; talvez por sorte. 

A recém-nascida ainda úmida, a mãe que lambia a cria.

Era o que minha mãe e eu assistíamos apoiadas lado a lado na janela. 

Entre nós e a outra dupla havia o jardim de margaridas, depois o pátio, em seguida o paiol e mais adiante o curral. 

Desviamos a vista para atentar para a tempestade que se anunciava plena e barulhenta. 

Antes que ficássemos ensopadas, fechamos a janela e ficamos encorujadas a ouvir a chuvarada bater na vidraça. Vimos os clarões, ouvimos os trovões cada vez mais próximos.

A noite fechada, ainda dentro da chuva, nos fez encerrar o dia.

– Boa noite, até amanhã.

Quando clareou, nós duas fomos contabilizar os estragos, e foram muitos…

Mas nenhum tão pungente quanto a outra dupla esturricada e morta, atingida por um raio.

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