Um telhado novo para a casa velha

Ele nem bem abrira o portão e lá estava ela: O vestido florido mais curto na frente em função da barriga voluntariosa; e enrugado na altura dos peitos que caídos suportavam de permeio um lenço de nariz enxovalhado; as mãos na cintura – caso houvesse ali alguma cintura -, os chinelos desgastados e frouxos nos pés com exuberantes joanetes; e na cabeça um coque desleixado, os grampos pretos espetados a esmo no grisalho do cabelo.

– Onde você estava?

Ele, que chegava com o engenheiro depois de ter passado em uma loja de materiais de construção, surpreso com tanta falta de educação respondeu mal-humorado:

– Fui comprar as telhas!

O engenheiro percebeu  o clima  e se esgueirou para o fundo do terreno; e ficou por lá quieto.

Tratou de juntar as telhas quebradas nos sacos de entulho e depois sentou-se para fumar um cigarro.

O casal continuou se estranhando mais uma meia hora, primeiro aos gritos, depois uma falação barulhenta e finalmente murmuravam.

Depois tudo pareceu em paz.

Não era a primeira vez. Não seria a última. 

O engenheiro deu um muxoxo, balançou a cabeça e concluiu:

” Ainda bem que não sou mais casado”. 

 

 

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