Entrangulamento

Havia um estrangulamento acima da média naquele ponto da Avenida das Américas. Sempre muito congestionada àquela hora, estava tudo parado, em um ponto em que se anda relativamente rápido. Era possível ver a aflição dos motoristas dentro de seus carros, olhando para um lado e outro, tentando ultrapassar com a buzina, entupindo o corredor das motos. Caos.

Então apareceu a causa do conflito.

Na grama do canteiro central havia um corpo moço, deitado, imóvel. De costas para a avenida, uma mulher segurava a cabeça do rapaz e sem se dar conta, mostrava a calcinha e as coxas grossas. Todos os motoristas paravam para ver e eu imagino que o nosso fluxo de pensamento era bem mais rápido que o do trânsito.

Estará morto? Ferido? Inconsciente?

Há sangue?

A moça é sua mulher, namorada, amante?

Foi atropelamento, tentativa de assassinato? Suicídio? BRT?

E assim, lentamente, e agora conformados, vamos saindo de perto do estrangulamento.

E cem metros depois já estamos pensando na próxima refeição.

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