O urso

Havia se passado meia hora de nosso encontro de cinquenta minutos, quando nos olhamos em silêncio  e concluímos  que era hora de parar por ali.

Tínhamos atravessado uma pinguela sobre um riacho de águas rápidas e barulhentas.

Falávamos aos gritos para podermos ouvir um ao outro e  não podíamos andar lado a lado, apenas em fila indiana, como um casal de japoneses em seu passeio dominical.

Depois que atravessamos o riacho, vimos o urso. Era muito branco e estava magro, bem magro.

Despertava ainda, mas nos olhou com curiosidade, como se fôssemos sua primeira refeição após longo tempo em jejum.

Senti um calafrio e estalei os dedos. Era hora de acordar também e seguir adiante.

Olhos nos olhos, nos despedimos com cerimônia, com respeito mútuo, mas  aliviados, e eu trêmula.

Quando a porta se fechou atrás de mim e ouvi que ele trancava com a chave, desci pelo elevador e fui chacoalhando a cabeça para voltar à confortável realidade.

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