Serenata

Esperei que abrissem as janelas, depois de terminada a serenata que fazíamos para comemorar seu aniversário.

Aquele clássico acender e apagar das luzes, uma espécie de senha para dizer – estamos ouvindo – também não ocorreu.

O cachorro do vizinho acompanhou a seresta com uma segunda voz dissonante, e depois que partimos, o bicho se acalmou.

Enquanto entrávamos no carro, ainda olhei para trás, para a janela de onde eu esperava vir qualquer sinal.

Nada.

Pensei que talvez estivessem viajando, talvez para comemorar o dito aniversário, ou que estivessem eles próprios em serenata pelas ruas da cidade.

E assim me consolei.

Porque não há nada mais triste do que dar amor e não sentir a benção da gratidão.

Por isso creio que o melhor encontro é o abraço. E era por um abraço e um pão de queijo apenas que eu ansiava.

Faz tanto tempo e ainda me lembro daquela madrugada.

As serenatas, como forma de expressão de afeto, não existem mais.

Há perigo nas ruas. Há menos tempo para o amor.

5 comentários sobre “Serenata

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