Doente

Tudo começa a melhorar no momento em que se faz o diagnóstico.

Depois nos damos conta de que o animal já estava diferente uns dias antes, já precisava de cuidados, mas no corre e corre da hora, deixamos estar; eu chego a pensar que algo se passa comigo e que estou fazendo uma espécie de transferência psicológica para meu cachorro, das dores que não reconheço em mim.

Ontem, sentei no chão ao seu lado e procurei. Enquanto o acariciava, ele espalhado, relaxado, feliz; e eu compenetrada, “o que está havendo com você, meu nego”!

O pelo liso, espesso e muito preto, brilhante, que  escovei  com os dedos ao contrário  do crescimento para observar a pele, parecia muito saudável, até que encontrei a ferida.

Senti um arrepio, meu Deus, quanto tempo faz que ele está sofrendo? Como fui egoísta pensando que a dor era minha?

Não era hora de lamentar, precisava agir. Ele sentiu que eu descobrira seu segredo. Lambeu meu rosto – detesto – mas era uma demonstração de carinho, então segui em frente.

Com uma tesoura desbastei os pelos, lavei com cuidado, limpei com antissépticos, fiz um curativo abstrato.

Ele aceitou tudo e ficamos os dois satisfeitos com o resultado.

Agora que olho para ele aqui da sala, compreendo que ele está bem melhor.

Eu também estou.

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