Faça o favor

Eram sete horas da noite, horário de verão. Ele vestia uma camisa listrada e saiu pela janela, fugido.

Todos em casa dormiam.

Telefonou para sua amada e quando a última ficha caiu, avisou.

– Estou indo. Nem se Deus mandar, nem mesmo assim, deixarei de vê-la hoje!

Foram suas últimas palavras.

Atravessou a rua com seu passo bêbado.

No rádio do coletivo ouvia-se a música:

– A gente morre, a gente morre, no BRT.

Juntou muita gente. Os curiosos.

Estava lá, o corpo, estendido no chão.

Sirenes, ambulância, massagem cardíaca.

A morte, angústia de quem vive.

O fim daquele caso de amor.

Era madrugada e o médico legista, na padaria da esquina, depois do laudo final exclamou:

Seu garçon, faça o favor.

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