Memórias 4

Meu pai comprava todas as novidades e inventos que surgissem pela cidade. Chegava em casa feliz, querendo agradar, e às vezes pagava caro por isso. Por um lado, na maior parte das vezes pensava grande, então comprava a vitrola recém chegada ao mercado, a maior e a mais bonita e poderosa para agradar suas filhas musicistas. Por outro lado, levava uma bela bronca da Dona Elvira, que controlava as despesas economizando até centavos para um doce, porque a vida era muito bicuda mesmo, e ela sabia disso. Passava uns dias brava com ele, mas era resiliente e tocava adiante, sempre e sempre.

Papai adorava passarinhos e certa vez teve um pássaro preto que agia como um cão de guarda. A qualquer sinal de visita, ele, que ficava em sua gaiola no alpendre, emitia um som característico. Era batata! Daí a instantes a campainha tocava!

Papai também gostava de cachorros, mas tinham que viver muito próximos e dividir a cama com ele.  Isso era outra novela. Porque mamãe não queria nem saber de bicho dentro de casa, no máximo o gato que minha irmã mais velha ganhara do namorado. Era complicado…

Gostava muito de pescar – todos os sábados saía de madrugada com os amigos e voltava ali pelas sete horas da noite, com peixes variados que mamãe precisava estripar e limpar. E caçava às vezes. Também gostava de cerveja, a grande vilã desta história de amor incondicional e para sempre.

continua

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