Girinos…

– Juro por Deus!

– O que é isso, menino, quanta lorota!

– É verdade, mãe, os girinos viraram sapos!

– Em minha caixa d’água? Não estou acreditando…

Angela pôs as costas das mãos nos quadris e olhou para o céu. A caixa não tinha tampa, e os sapos coaxavam na madrugada, mas teriam sido mesmo os girinos que o moleque pescara com seu coador no fio de água da beira do hospital infantil? Lamentava-se muito mais pela procedência – os miasmas do hospital deveriam drenar para aquele córrego – do que por saber dos sapos em si… Arregalou bem os olhos quando imaginou como o filho teria escalado pelos canos até chegar nas alturas acessando a água que servia à família e aos fregueses da quentinha que fornecia aos trabalhadores da região. Todo mundo comentava, “a quentinha da dona Angela é a melhor da cidade, que tempero!”

Sentou-se no primeiro degrau da escada, pesarosa. Pensou bem e concluiu balançando a cabeça, a boca contraída:  – O que não nos mata, nos torna mais fortes. Levantou-se e continuou a viver. Encheu a chaleira de água e acendeu o fogo. Hora de cozinhar o arroz.

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