De volta para casa

Nos corredores do hospital, tem de tudo. Gente bonita e gente feia, os saudáveis e os doentes, os alegres e os muito tristes. Muitos esperam com paciência o desenrolar nem sempre simples das etapas para o diagnóstico. Muitos se desgastam e tremem, temem a verdade. Os acompanhantes teclam ao celular, aliás todo mundo ali tecla em seus celulares. Alguns carregam a bateria na tomada da sala de espera e aguardam.

Enquanto isso o doente geme, desmaia, ou se contrai na dor da picada, ou respira fundo e prende o fôlego enquanto posa para os raios X.

Eu observava tudo isso de outro ângulo, do ângulo mais comum: Era acompanhante apenas. De repente ouvi um grito, uma lástima, vinha do andar de cima, da varanda.

– Ela morreu!!! Ela morreu, meu Deus, ela morreu!

Aquela acompanhante, que visivelmente descontrolada, fazia um escândalo histérico e era ouvida por todos, talvez não se lembre disso quando serenar. Porque a morte dói profundamente em quem ficou para trás. Perdemos sempre. Depois a gente se habitua, toca em frente, não tem outro jeito.

É a vida que nos continua.