Nero

Nero, um grande cão negro, rondava pela vizinhança no último dezembro.

Peguei minha escada de jardim, apoiei no muro alto da frente de casa e subi para olhar lá fora.

Ele estava a minha porta.

Cheirava minuciosamente cada passo de pedra e quando chegou ao portão, sentou-se e raspou a pata na madeira me pedindo para entrar.

Quando me viu encarapitada sobre o muro olhou-me sedutor, vaidoso de seu  poder.

Eu tremia quando desci da escada e pisei na grama, não sei se de horror ou emoção.

Escondi a escada, a preguiça e a tristeza.

Fiz festa ao meu cão de guarda que me espera sempre pronto para receber um afago e retribuir com uma lambida e um alvoroço festivo.

Tomei um banho gelado, purificador.

Não sei se Nero ainda está lá fora. Sinto sua presença ainda.

Tomara que tenha desistido mais uma vez.

2 comentários sobre “Nero

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