O Nero

Fui lá fora conferir, e Nero foi mesmo embora.

Disseram-me tê-lo visto na praia da macumba. Trotava pela areia em busca de tatuíras. Chegou perto demais da rebentação e fugiu de molhar-se completamente. Chacoalhou o corpo todo espirrando água, sal e areia para todos os lados.

Um salva-vidas que acabara de socorrer uma cabecinha ondulante que acenava lá longe, chamou o cão com um assobio. Ele foi.

E eu agora fiquei pensando se deveria tê-lo deixado entrar. Talvez esteja mais dócil, agora que está mais velho. Talvez trouxesse a inspiração que me faltava nos últimos tempos. Ou ficasse a me olhar fixamente, como se meditasse por mim.

Por hora, deixo isso para lá. Vou catar uns cocos e beber sua água. Vou aproveitar o ano, ou pelo menos parte dele.

O momento é de renascer.

 

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