A grana

Mais de uma vez eu a vi surrupiar alguns trocados do bolso da calça do marido, para comprar legumes no sacolão. A calça em uso ficava pendurada na quina da porta semi aberta do guarda-roupas. Ele não percebia porque era pródigo em gorjetas e  esmolas, além do jogo do bicho e a providencial cerveja de cada dia. Entretanto às vezes acontecia de vê-lo com o branco do forro dos dois bolsos para fora da calça, vazios a não ser por um punhado de linhas emaranhadas e sujidades não identificáveis.

– Elvira, você pegou dinheiro no meu bolso? – ele  perguntava contrariado.

– Eu não – ela dizia já saindo de fininho – você deve ter enterrado lá no “Buraco da Onça!”

2 comentários sobre “A grana

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