O telefone

Eram duas horas da manhã. Acordei com o telefone tocando. Meu Deus, catástrofe! Em um átimo, passei em revista todas as pessoas queridas; e fui atender.  Deu tempo de pensar que não me  telefonariam às duas da manhã – me consolei assim -, esperariam até amanhecer.

– Alô! – Falei com a voz bem firme, o corpo tenso, trêmula.

– Mãe, é um assalto… É um assalto, mãe, eles vão me matar!!! – A voz choramingava e arfava.

Engoli e pensei “calma!”  Então perguntei:

– Filha, qual é o seu nome?

A voz enrolou: –  Mãe, é um assalto, mãe, eles vão me matar… Socorro!

– Como você se chama?

– Sou eu, mãe…

– Quem é você?

– … é a Ana, mãe…

Relaxei. E tive a audácia de dizer:

– Filha, sinto muito, não tem ninguém aqui com esse nome…

A voz desligou…

Sabia que minha menina estava guardadinha em sua casa. Tínhamos conversado algumas horas antes e nos despedimos para a noite. Mesmo assim, o coração disparado, custei a relaxar. Como se contasse carneirinhos, lembrei de todos os meus queridos. Que bom que estão todos bem. Virei para o lado, suspirei e dormi, feliz.

2 comentários sobre “O telefone

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