A pródiga

A filha era pródiga, então teve que aceitar. Abriu a porta com um sorriso ensaiado e abraçou a moça, apalpando os pneuzinhos da cintura. A filha fingiu que chorava, sacudiu-se toda nos braços maternos.  Deixou a malita no quarto que fora seu antes de casar-se. Vestiu uns trapos, olhou-se no espelho e concordou: “Estou gorda mesmo…” Desceu a escada e foi até a varanda onde a mãe a aguardava deitada na espreguiçadeira. Não havia amor ali, apenas paciência e tédio. Ficaram em silêncio enquanto ninavam as próprias carnes. Dali, concluiu, ela nunca deveria ter saído…desenho29

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