Circuito curto

A doida, depois que aprendeu a correr, viciou no prazer das endorfinas. Se a princípio corria desengonçada por dois minutos, intercalados com dez minutos de caminhada leve, foi se aprimorando, diminuindo seu tempo a caminhar. Não parou por aí. Começou a correr orientada por uma amiga “personal”. Quando já corria direto por uma hora, – o rabo de cavalo balançava para lá e para cá – passou a correr mais rápido, depois por mais tempo. Só parava quando sentia arrepiar o couro cabeludo, pura adrenalina. Continuou assim por uns anos, sempre competindo com seu recorde. Só parou quando teve uma febre terçã, e passou dois meses delirando, vendo corredores fantasmas pelos vãos.

Depois que se recuperou, retomou os exercícios. Quanta preguiça. Caminhou em volta do quarteirão, e sem fôlego, pensou em desistir. “Não dá mais para mim”…  Mas quando se lembrava do prazer, ah que prazer, saía de novo determinada a reconquistar-se. E quando já caminhava rapidamente por uma hora, sentia ímpetos de sair correndo. Que delícia.

 

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