Em pauta, a meta

Nestes tempos botinudos, de roubadas e mistérios,  tratei de reduzir despesas. Fui devagar aqui e ali, deixando apenas o que realmente precisava. Desliguei uma geladeira extra, meio detonada, e barulhenta, mas muito útil para guardar os legumes em excesso, e potes perigosos de sorvete e cervejas tentadoras, que ficavam lá esperando sua vez. Está lá coitada, bocas abertas, quente, febril, vazia e sem dar um pio… Triste… Resolvi também tirar das tomadas todos os aparelhos em stand by. Só ficou uma conexão com a internet e um rádio de pilha. E claro a geladeira principal, atolada com as provisões da semana. Por umas duas horas tive a impressão de solidão mais aguda dos últimos tempos. Tudo silencioso, sem luzinhas a me olharem de longe, uma cegueira e surdez absoluta. Acho que os aparelhos em stand by, nos observam no escuro. Interconectam-se e comentam sobre nossas celulites e  nossas insônias. Devem estar irritados com a falta de cerimônia com que os tirei da pauta. Está bem, desculpem aparelhos. É que tenho uma meta a seguir.

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