De flictênula à mucharinga

No quarto, havia uma estante cheia de livros, último reduto disponível da casa para aqueles dois amantes; e de livros. E assim como todas as outras estantes do apartamento de dois quartos e sala ampla, estava abarrotada, quase destroncada de literatura. Era o início dos anos 1980. E-books? Só em filmes. Internet? Ainda não…

Era sábado à tarde, verão paulistano, o rádio seguia entre boas músicas e a  narração os páreos do Jockei Club; os dois turbulentos em seu amor vespertino; “e cruuuuzam a linha de chegada!”

Relaxados, descansavam, quando ela leu da cama o que primeiro enxergou na estante, de um dos cinco volumes de um Aurélio; a primeira e a última palavra daquele tomo:

-Flictênula  Mucharinga!

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