Estupro

Esperava minha condução quando senti uns dedos fortes em torno do meu braço que me encaminharam em direção ao parque ao lado, cheio de mato. Imaginei que fosse alguém conhecido, um dos meus netos que sempre me prega peças, mas não, era um estranho.  Violento, agressivo, macilento, suado, cheirava mal. Acertou-me dois socos no rosto e eu caí desacordada. Quando dei por mim, ele havia erguido minha saia, abaixado minha calcinha e bufava meio mole tentando se satisfazer. Eu sentia dor, deveria ter continuado a usar os hormônios, mas aos oitenta, viúva, para quê? Para quem?  Depois ele se levantou escondendo suas vergonhas murchas e chutou minha coxa várias vezes, em um ataque de fúria. Fiquei quieta esperando pelo pior, achei que fosse me matar. Ele catou o boné vermelho no chão e foi embora pelo mato. Respirei fundo, sentei-me, a principio testando os ossos; então subi minha calcinha que estava presa em uma das pernas; apoiei com as duas mãos no chão e me levantei. Minha saia, atrás, estava suja de sangue e terra.  Bati com as palmas para tirar o pó e as folhas. Me ajeitei como pude e caminhei devagar. Minha bolsa estava jogada ao lado, o batonzinho hidratante e a carteira de identidade no meio da terra. Foi  o que restou. Fechei o zíper, catei uma moedinhas do casaco e fui até o ponto de ônibus, esperar pelo próximo e enfim começar meu dia.

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