Cachorrada

Eram três sacolas pesadas, com compras de supermercado e um trambolho de uma caixa com uma lavadora de pressão.

Ao abrir o portão o “dono da casa” veio cheirar tudo, como sempre faz. O aval dele é o mais importante.

Nisso, veio correndo um esportista jovem, em pleno treino e o danado achou uma brecha entre as sacolas e correu pra cima da “caça”. Gritei de longe, – não corra, fica calmo. Ele felizmente parou. Peguei o cachorro pelo enforcador, que torci para apertar-lhe a garganta – já aconteceu de ele dar ré e se safar da corrente- , e vim trazendo pra dentro de casa. Nisso a vizinha da frente deixou sair dois mini poodles – antigos desafetos do meu cachorro. Vieram pra cima dele pulando e latindo; os dois ao mesmo tempo latiam e pulavam nele, que preso pelo enforcador, estava visivelmente danado da vida, pela injustiça social que lhe impunha. Somente quando a dona conseguiu resgatar os dois cachorrinhos e seus latidos desagradáveis, pude puxar meu cachorro para dentro e relaxar um pouco, sentada no chão, tum tum tum tum.

Acham que acabou? À noite eis que aparece um gambázão para atiçar o espírito selvagem do bicho. Foram horas de espreita e latidos de guarda. Quando pegou o gambá e em um movimento quebrou-lhe a coluna, queria continuar a brincadeira, pelejando para  o gambá ressuscitar. Foi uma noite estressante, ele não queria largar a presa. Deixamos que ficasse no canil, preso com sua presa. Hoje pela manhã já estava mais calmo e conseguimos separar uma criatura da outra. ‘Bora banhar o cachorro, imundo e com um cheiro terrível de medo do gambá.

Ele estava saciado e eu um bagaço.

sem/com

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Vou parar de tomar esses remédios…

Não vai, não!

Vou sim, mas do jeito certo: Diminuindo bem devagarinho…

Por favor, não pare!

Mas eu nem sei como sou sem todas essas drogas!!!

Eu sei….