Incontinência

Meu namorado me disse, certa vez, que sofro de incontinência onírica… Verdade…

O que me separa do inconsciente é uma membrana fina e porosa, quase nada mesmo, muito permeável, até mesmo quando estou bem acordada.

Um dia decidi dar um jeito. Peguei um desses compensados pintados de rosa choque de material de construção, que estava jogado por aí, um monte de pregos que enfiei na boca e um martelo bem balanceado. Preguei sobre a membrana em intervalos de um centímetro, caprichosamente, até ver tudo bem firme e desgraçadamente opaco. Tudo bem, ia acabar. A boca vazia, suspirei, ufa!

Ainda hoje, às vezes, algum sonho escapa e eu trato feito cachorro bravo:

– Senta!

– Deita!

– Fica!

E mesmo assim acontece de um mais atrevido fugir ao comando, chegar ao banheiro, roubar papel do lixinho e fazer uma grande bagunça pela casa!

 

2 comentários sobre “Incontinência

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