Ah, Elvira!

Como você é vaidosa, Elvira, sempre que vê um espelho, arruma os cachos dourados. Ao sair para caminhar, passa protetor e batom, ajeita o chapéu de palha e vai! Cinema? Se veste de colorido, echarpe sobre os ombros, felicidade pura. E quando é festa? Se anima e se produz, radiante e bela, a prosa afinada, o sorriso largo… Aproveita, Elvira, que a vida passa num trisco, e depois, a vaidade e o batom serão só lembranças.

Eis aí meu carnaval

Vi, de relance, em um espelho ocasional, um palhaço. Era o Bozo. Sorri sem graça e ele me devolveu uma sonora gargalhada. Apreensiva, desisti da fantasia e dos confetes.

Quando cheguei em casa, em frente ao meu espelho habitual, retirei toda a maquiagem e lavei o rosto com capricho, mas sem entusiasmo. Deixei que jorrasse a preciosa água nesta minha ostentosa ablução. Enxuguei cada prega do rosto, estiquei as rugas e sequei meus olhos.

E me encarei no espelho.

Bozo estava lá e desta vez me olhava contrariado, o batom manchando parte da bochecha direita. Ele me disse assim:

– Vamos parar com essa palhaçada?