Título de eleitor a postos

Na última gaveta do guarda roupas, bem escondido entre as coisas inúteis, encontrei, finalmente, meu título de eleitor.

Tive que encontrá-lo, claro, mas deu um trabalhão. Não venham me dizer que sou desorganizada com documentos; sou, mas prefiro cuidar bem do passaporte e dos documentos do carro, porque ambos garantem meu direito de ir e vir.

Já o título de eleitor, que me obriga, me oprime, me condena, melhor esquecer.

Mais inútil que o título nesta fase da minha vida, só a certidão de nascimento. Há tantas certidões depois dessa…

Bom, peguei o título, joguei fora todos aqueles papeizinhos inúteis que comprovam que votei nas últimas eleições, e deixei tudo arrumadinho para domingo.

Tenho tido uma sensação de compromisso o tempo todo.

Então me lembro do que se trata.

E choro!