Um teto todo meu!

Cuidado, cuidado! Não pisem assim, de forma  tão leviana nas telhas do meu telhado!

Estou aqui na sala e os passos lá em cima me perseguem.

Clonc, clonc, clonc!

Até ouço – acho – as telhas se partindo.

E às vezes, algumas despencam quebradas, lá do alto…

Bobagem, telhas custam quase nada.

Mas essas telhas, essas malditas telhas que me servem de abrigo, não existem mais no mercado…

Você poderia dizer: – Troque todas, bolas!

Não sei o que é mais caro, o soneto ou a emenda do teto.

Sou conservadora, gosto do que tenho, que desperdício seria…

Tempos de reciclagem…

Mas o teto é todo meu!

Faço o que bem entender; avalio prós e contras com minha maquiavélica disposição.

E depois de sair para correr uns 6 km, tomo um banho, uma taça de vinho, e volto para escrever e sonhar.